{"id":337,"date":"2020-07-03T00:12:36","date_gmt":"2020-07-03T03:12:36","guid":{"rendered":"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/?p=337"},"modified":"2020-11-01T07:31:19","modified_gmt":"2020-11-01T10:31:19","slug":"filosofia-conceito-e-definicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/index.php\/2020\/07\/03\/filosofia-conceito-e-definicoes\/","title":{"rendered":"Filosofia: conceito e defini\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"450\" src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Aula-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-808\" srcset=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Aula-1.jpg 750w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Aula-1-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Filosofia: Conceito e defini\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"450\" src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Aula-1-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-810\" srcset=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Aula-1-2.jpg 750w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Aula-1-2-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Voz-005.mp3\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8211; Sentido amplo: imposi\u00e7\u00e3o no processo de socializa\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o passiva da ideologia dominante.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Voz-003.m4a\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8211; Sentido estrito: estudo sistem\u00e1tico e met\u00f3dico sobre a totalidade do que existe. Ci\u00eancia do ser. Conhecimento fundamentado, sistem\u00e1tico e met\u00f3dico, sobre a finalidade \u00faltima de tudo o que existe. Problema do Ser. Problema do Conhecimento. Problema do Valor.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Voz-004.m4a\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8211; Etimologia: <em>Philos <\/em>(amigo) +&nbsp; <em>Sophia <\/em>(saber, sabedoria): Pit\u00e1goras de Samos (Sec. V aC). Os pensadores pr\u00e9-socr\u00e1ticos (f\u00edsicos) e a preocupa\u00e7\u00e3o com o fundamento do ser. O Conceito de <em>Phisis <\/em>(natureza, realidade din\u00e2mica). O \u00e1tomo ou o Logus?<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-audio\"><audio controls src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Voz-002.m4a\"><\/audio><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"450\" src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Aula-1-3-1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-816\" srcset=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Aula-1-3-1.jpg 750w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Aula-1-3-1-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8211; A rela\u00e7\u00e3o da defini\u00e7\u00e3o com a linha de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Refer\u00eancia\/posicionamento ante uma perspectiva telol\u00f3gica do cosmos: a) especulativa: a filosofia como uma proje\u00e7\u00e3o racional; b) normativa: toda filosofia resulta em normas e prescri\u00e7\u00f5es para a vida pr\u00e1tica; c) &nbsp;cr\u00edtica: a Filosofia representa sempre uma nova postura ante a vida e o mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Busca de conhecimento e n\u00e3o posse: a) questionamento: a coloca\u00e7\u00e3o permanente de novas quest\u00f5es \u00e9 mais importante que as respostas absolutas; b) perenidade: pela sua natureza vai existir sempre, onde o homem se apresente como tal; c) abrang\u00eancia: o enfoque da Filosofia \u00e9 sempre o da totalidade, do ser; d) radicalidade: a Filosofia busca resposta que est\u00e3o na raiz dos problemas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"750\" height=\"450\" src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Aula-1-4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-813\" srcset=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Aula-1-4.jpg 750w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/Aula-1-4-300x180.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Algumas defini\u00e7\u00f5es:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&nbsp;\u201cTodos os homens s\u00e3o fil\u00f3sofos, enquanto pensam (&#8230;), enquanto refletem sobre a cultura, a linguagem e o mundo que receberam ao nascer (&#8230;) assumindo-o n\u00e3o de maneira pronta e passiva, mas de maneira cr\u00edtica e respons\u00e1vel. <\/em>Ant\u00f4nio Gramsci (marxista cr\u00edtico).<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cFilosofia \u00e9 a ci\u00eancia das causas primeiras e fins \u00faltimos\u201d. <\/em>&nbsp;S. Tom\u00e1s de Aquino (fil\u00f3sofo crist\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p><em>Filosofia \u00e9 o ato de concentra\u00e7\u00e3o pelo qual o homem se torna autenticamente aquilo que \u00e9 e participa da realidade\u201d.<\/em> Karl Jaspers (existencialista crist\u00e3o)<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cFilosofia \u00e9 o estudo de tudo o que n\u00e3o pode ser pesquisado cientificamente. \u201d<\/em>Bertrand Russel (positivista ingl\u00eas).<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Explica\u00e7\u00e3o:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de L\u00f3gica nos mostra uma importante distin\u00e7\u00e3o entre \u201cconceito\u201d e \u201cdefini\u00e7\u00e3o\u201d. O conceito \u00e9 a ideia, logo, \u00e9 amplo e inteiramente subjetivo, enquanto que a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 uma tentativa tornar mais objetiva a ideia, logo, \u00e9 restrita \u00e0s caracter\u00edsticas essenciais do objeto que pretende definir. Eu tenho uma ideia do que seja educa\u00e7\u00e3o e pretendo explicar isso para outra pessoa, e para isso formulo a minha defini\u00e7\u00e3o de \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d. Evidentemente, eu n\u00e3o conseguirei descrever todas as caracter\u00edsticas da minha concep\u00e7\u00e3o de \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d e por isso come\u00e7arei pelas que acredito mais importantes. Eu digo, por exemplo, que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o processo de forma\u00e7\u00e3o do cidad\u00e3o em sociedade. Ou seja, eu defini \u201ceduca\u00e7\u00e3o\u201d pelos aspectos \u201cforma\u00e7\u00e3o para a cidadania\u201d e \u201cprocesso social de forma\u00e7\u00e3o\u201d porque, no meu entendimento, esse \u00e9 o cerne do processo educativo. Deixei em segundo plano o aspecto \u201cinstru\u00e7\u00e3o\u201d, que para outro definidor seria o mais importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Situa\u00e7\u00e3o similar passa-se com rela\u00e7\u00e3o ao conceito de Filosofia. Quando um fil\u00f3sofo define a Filosofia ele precisar\u00e1 arrolar os aspectos e caracter\u00edsticas que ELE considera os mais importantes. Vejamos nas defini\u00e7\u00f5es acima: Gramsci, como pensador marxista, define a Filosofia pelo aspecto pol\u00edtico, como pensamento cr\u00edtico capaz de levar o homem ao participar de sua realidade. Santo Tom\u00e1s de Aquino, como fil\u00f3sofo crist\u00e3o e idealista, define a Filosofia pelo seu papel metaf\u00edsico, de busca de conhecimento sobre o sentido \u00faltimo do homem no mundo. Jaspers, como fil\u00f3sofo existencialista, define a Filosofia como o pensar que leva o homem a uma exist\u00eancia aut\u00eantica. Russel, como um pensador positivista, v\u00ea a Filosofia pelo seu papel de teoria geral da ci\u00eancia, como a ci\u00eancia que unifica as descobertas das ci\u00eancias particulares na constru\u00e7\u00e3o de uma teria geral do ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora come\u00e7amos a entender a singularidade desse estudo chamado Filosofia e podemos come\u00e7ar a ensaiar uma forma \u00fatil de definir entender um pouco da natureza dessa forma de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade. Aqui cabe resgatar a etimologia da palavra \u201cFilosofia\u201d e as condi\u00e7\u00f5es em que esse termo foi usado pela primeira vez.<\/p>\n\n\n\n<p>O registro mais antigo da palavra Filosofia seria o de seu uso por Pit\u00e1goras de Samos quando, em visita a corte de um rei, foi questionado em que seria ele um s\u00e1bio. Pit\u00e1goras teria respondido que n\u00e3o seria um s\u00e1bio (aquele que sabe), mas sim um fil\u00f3sofo (aquele que ama o saber). Cerca de 2.500 anos se passaram e a Filosofia continua sendo uma busca permanente e cont\u00ednua de conhecimento sobre tudo o que existe, n\u00e3o pela utilidade pr\u00e1tica desse conhecimento, mas sim pelo que ele significa para o homem em termos da sua pr\u00f3pria humaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, precisamos de uma defini\u00e7\u00e3o operacional para direcionar nosso curso. Em sendo assim, cabe apresentar uma defini\u00e7\u00e3o l\u00f3gica, que arrole suas caracter\u00edsticas essenciais e distintivas de outras formas de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade, seu objeto de estudo e seu m\u00e9todo de estudo. Assim, iniciaremos nossos estudos com a seguinte defini\u00e7\u00e3o operacional:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A Filosofia \u00e9 uma busca permanente de conhecimento, abrangente e radical, sobre o sentido de tudo o que existe (o ser), pelo m\u00e9todo reflexivo-cr\u00edtico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Filosofia \u00e9 uma busca de conhecimento, uma forma de interpreta\u00e7\u00e3o da realidade, tal como o s\u00e3o as ci\u00eancias ou a religi\u00e3o, por\u00e9m, enquanto as ci\u00eancias recortam trechos da realidade para estudar (classes de fen\u00f4menos), a Filosofia, tal como o faz a religi\u00e3o, dedica-se ao todo, ao conjunto e a todas as classes de fen\u00f4menos, enfim, ao ser (palavra que designa tudo aquilo que \u00e9, que existe, ou seja, tudo). A Filosofia estuda o todo sem qualquer limite ou restri\u00e7\u00e3o, e por isso se diz que \u00e9 um estudo abrangente e radical. \u00c9 uma busca permanente porque as quest\u00f5es filos\u00f3ficas, por sua natureza, n\u00e3o comportam respostas definitivas. Tampouco \u00e9 da natureza a aceita\u00e7\u00e3o de respostas definitivas, e por isso se diz que a cr\u00edtica perene \u00e9 da ess\u00eancia do saber filos\u00f3fico, que \u00e9 permanentemente provis\u00f3rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, se trata de uma busca de conhecimento sobre a realidade como um todo, sob uma perspectiva radicalmente cr\u00edtica, para a qual n\u00e3o cabe a aplica\u00e7\u00e3o de uma metodologia demonstrativa e\/ou experimental, que, diante desse objeto e perspectiva, se mostra inteiramente invi\u00e1vel. Entretanto, isso n\u00e3o significa que a Filosofia n\u00e3o utilize um m\u00e9todo, apenas que seu m\u00e9todo \u00e9 diferente dos m\u00e9todos utilizados pelas ci\u00eancias particulares.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O m\u00e9todo da Filosofia \u00e9 a especula\u00e7\u00e3o cr\u00edtica ou m\u00e9todo reflexivo-cr\u00edtico.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O que significa isso?<\/p>\n\n\n\n<p>Especular \u00e9 projetar mentalmente e discursivamente o desdobramento de uma situa\u00e7\u00e3o, e a cr\u00edtica \u00e9 o crivo da coer\u00eancia l\u00f3gica dessa especula\u00e7\u00e3o. Refletir e voltar o pensamento sobre os pr\u00f3prios processos de pensar, analisando criteriosamente esses processos em intera\u00e7\u00e3o com as situa\u00e7\u00f5es sociais de sua constru\u00e7\u00e3o, aplicando-se o crivo da cr\u00edtica como crit\u00e9rio de verdade do discurso.<\/p>\n\n\n\n<p>Resulta disso que a Filosofia pode apresentar variadas respostas a uma mesma quest\u00e3o, conforme a linha de pensamento que apresenta a resposta, como vemos no exemplo da defini\u00e7\u00e3o de Filosofia, aparentemente distintas quando formuladas por um fil\u00f3sofo marxista, por um idealista crist\u00e3o, ou por um existencialista.<\/p>\n\n\n\n<p>Adiante temos textos de alguns fil\u00f3sofos que se debru\u00e7aram sobre a quest\u00e3o da natureza da Filosofia, da sua necessidade ou da sua utilidade. Vamos \u00e0 leitura desses textos para tentar compreender como essas quest\u00f5es, quando colocadas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Filosofia, se mostram bem diferentes.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Texto &#8220;A&#8221;: Para que serve a Filosofia (Excerto de DELEUZE, Giles <em>&#8211; Nietezsche e a Filosofia, <\/em>Ed. Rio, p.87.)<\/p>\n\n\n\n<p>Quando algu\u00e9m pergunta para qu\u00ea serve a Filosofia,a resposta deve ser agressiva, visto que a pergunta pretende-se ir\u00f4nica e mordaz. A Filosofia n\u00e3o serve nem ao Estado, nem a Igreja, que tem outras preocupa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o serve a nenhum poder estabelecido. A Filosofia serve para entristecer. Uma Filosofia que n\u00e3o entristece a ningu\u00e9m e n\u00e3o contraria ningu\u00e9m n\u00e3o \u00e9 uma Filosofia (&#8230;). N\u00e3o tem (a Filosofia) outra serventia a n\u00e3o ser denunciar a baixeza do pensamento sob todas as suas formas. Existe alguma disciplina, fora da Filosofia, que se proponha a criticar todas as mistifica\u00e7\u00f5es, quaisquer que sejam a sua fonte e seu objetivo (&#8230;). Fazer do pensamento algo agressivo, ativo, afirmativo. Fazer homens livres (&#8230;), isto \u00e9, homens que n\u00e3o confundam os fins da cultura com o proveito do Estado, da moral ou da religi\u00e3o (&#8230;). Certamente existe uma mistifica\u00e7\u00e3o propriamente filos\u00f3fica, a imagem dogm\u00e1\u00adtica do pensamento e a caricatura da cr\u00edtica s\u00e3o testemunhos disso. Mas a mistifica\u00e7\u00e3o come\u00e7a a partir do momento em que esta ren\u00fancia ao seu papel desmistificador e faz o jogo dos poderes estabelecidos<sub>,<\/sub> quando renuncia a contrariar a tolice, a denunciar a baixeza (&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 poss\u00edvel fazer essa pergunta porque a imagem do fil\u00f3sofo \u00e9 constantemente obscurecida. Faz\u00ad-se dele um s\u00e1bio, ele que \u00e9 apenas o amigo da sabedoria, amigo num sentido amb\u00edguo, isto \u00e9, o anti-s\u00e1bio, aquele que deve mascarar-se com a sabedoria para sobreviver. Faz-se dele um amigo da verda\u00adde, ele que faz o verdadeiro enfrentar a mais dura prova (&#8230;). Se a tarefa cr\u00edtica da Filosofia n\u00e3o \u00e9 ativa\u00admente retornada em cada \u00e9poca, a Filosofia morre e com ela a imagem do fil\u00f3sofo e a do homem livre (&#8230;). Diferentemente do conceito intemporal de erro, a baixeza n\u00e3o se separa do tempo, isto \u00e9, desta transposi\u00e7\u00e3o do presente, dessa atualidade na qual se encarna e se move. Por isso a Filosofia tem uma rela\u00e7\u00e3o essencial com o tempo: <em>sempre contra <\/em>o <em>seu tempo. <\/em>Cr\u00edtico do mundo atual, o fil\u00f3sofo forma conceitos que n\u00e3o s\u00e3o eternos nem hist\u00f3ricos, mas sim intempestivos e sem atualidade. E no intempes\u00adtivo h\u00e1 verdades mais dur\u00e1veis que as verdades hist\u00f3ricas e eternas reunidas: as verdades do tempo por vir (&#8230;). Nem h\u00e1 Filosofia eterna, nem Filosofia hist\u00f3rica. A eternidade, assim com a historicidade da Filosofia, reduz-se ao seguinte: a Filosofia, sempre intempestiva, intempestiva a cada \u00e9poca. Mas assim concebida, qual \u00e9, pois, o campo que se oferece \u00e0 Filosofia? A an\u00e1lise do que o ho\u00admem pensa de si pr\u00f3prio e do mundo. A Filosofia \u00e9 uma concep\u00e7\u00e3o coerente, racional, do mundo e da vida.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Texto &#8220;B&#8221;: A Necessidade da Filosofia. (CARTOLANO, M. T. P. &#8211; <em>Filosofia no Ensino de <\/em>2\u00ba <em>Grau, <\/em>Cortez, 1985, p.97).<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 como pensamento que a Filosofia \u00e9 necess\u00e1ria e \u00e9 como tal que percebemos como, porque e em que poder\u00e1 ser teoria, fundamento e reformula\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica. Se, por um lado, <em>&#8220;conhecer \u00e9<\/em> <em>fixar <\/em>o <em>real em representa\u00e7\u00f5es (fatos e id\u00e9ias), em contrapartida, pensar <\/em>\u00e9 <em>acolher o risco do trabalho do conhecimento sem pretender fix\u00e1-lo num racional positivo completamente determinado<sup>\u201d <\/sup><\/em>(Marilena Chau\u00ed).<\/p>\n\n\n\n<p>A tarefa da Filosofia n\u00e3o consiste em construir verdades e sistemas acabados e absolutos, mas, ao contr\u00e1rio, em acompanhar reflexivamente os acontecimentos da realidade, question\u00e1-los em seus fun\u00addamentos e coloc\u00e1-los como problemas provis\u00f3rios a partir dos quais s\u00e3o buscadas solu\u00e7\u00f5es ou surgem novos problemas tamb\u00e9m provis\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p>A Filosofia \u00e9, nesse sentido, como dizia Gramsci, n\u00e3o s\u00f3 a descoberta de verdades originais, mas tamb\u00e9m a difus\u00e3o cr\u00edtica de outras, j\u00e1 descobertas, a sua socializa\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o em bases de a\u00e7\u00f5es vitais. A filosofia \u00e9 necess\u00e1ria\u00ad como reflex\u00e3o radical e como teoria cr\u00edtica e n\u00e3o como filosofia dogm\u00e1tica, afirmativa, que se submete e serve aos interesses de uma determinada classe social. A filosofia \u00e9 necess\u00e1ria enquanto nega\u00e7\u00e3o do j\u00e1 estabelecido e afirma\u00e7\u00e3o de novos projetos para a sociedade; \u00e9 necess\u00e1ria como reflex\u00e3o a partir da experi\u00eancia, da pr\u00e1tica e dos problemas levantados por ela.<\/p>\n\n\n\n<p>A Filosofia \u00e9 necess\u00e1ria \u00e0 medida que reflete criticamente sobre as con\u00addi\u00e7\u00f5es pelas quais o homem produz a sua exist\u00eancia, quer dizer, sobre o seu trabalho, atrav\u00e9s do qual ele se constr\u00f3i (ou se destr\u00f3i e se aliena) e constr\u00f3i a sociedade, sendo, nesse sentido, orienta\u00e7\u00e3o inte\u00adlectual para a compreens\u00e3o do mundo, para a a\u00e7\u00e3o sobre o mundo. A Filosofia \u00e9 o pensamento sobre a pr\u00e1tica e entende o conhecimento n\u00e3o como apropria\u00e7\u00e3o de id\u00e9ias, mas, como compreens\u00e3o do sentido da experi\u00eancia. \u00c9 o conjunto dessa experi\u00eancia humana que deve ser objeto da reflex\u00e3o filos\u00f3fica.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"80\" height=\"90\" src=\"\" alt=\"O fil\u00f3sofo Paulo Ghiraldelli Jr por ele mesmo\">O que \u00e9 filosofia? (Short)<\/h2>\n\n\n\n<p><strong>\u201cO que \u00e9 a filosofia?\u201d em menos de 3 mil palavras<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Da maneira como a desenvolvo, a filosofia tem uma dupla acep\u00e7\u00e3o. De um ponto de vista geral, ela \u00e9 uma narrativa de <em>desbanaliza\u00e7\u00e3o<\/em> do banal. De um ponto de vista espec\u00edfico, ela \u00e9 uma investiga\u00e7\u00e3o que lida com os mecanismos que nos fazem tomar o aparente pelo real \u2013 se \u00e9 que estamos envolvidos nesse problema.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa maneira de descrever o que fa\u00e7o como fil\u00f3sofo \u00e9 o melhor modo que encontrei para colocar meu leitor, de modo r\u00e1pido, inteirado a respeito do que \u00e9 o meu cotidiano.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo que vejo e que os outros tamb\u00e9m enxergam todos os dias se torna banal para n\u00f3s. O tr\u00e2nsito n\u00e3o funciona na cidade de S\u00e3o Paulo e o prefeito diz que est\u00e1 tudo bem. Alguns reclamam. Mas a press\u00e3o do trabalho faz com que todos entrem no \u00f4nibus lotado e se submetam a condi\u00e7\u00f5es desumanas para ir para o servi\u00e7o. Eis que em determinado momento, ningu\u00e9m reclama mais. Toma-se como banal que o tr\u00e2nsito n\u00e3o funcione. Ocorre a\u00ed a banaliza\u00e7\u00e3o de nossa pr\u00f3pria vida. Ent\u00e3o, \u00e9 hora do fil\u00f3sofo mostrar uma cidade grande, em outro lugar, em outro pa\u00eds, onde o tr\u00e2nsito funciona \u2013 para desbanalizar o nosso banal, que \u00e9 o tr\u00e2nsito n\u00e3o funcionando.<\/p>\n\n\n\n<p>O fil\u00f3sofo \u00e9 aquele que v\u00ea o que todos veem todos os dias, mas ele, diferente de outros, aponta para situa\u00e7\u00f5es em que aquilo que \u00e9 visto n\u00e3o \u00e9 algo que deveria estar ali como est\u00e1. Poderia <em>n\u00e3o<\/em> estar. Talvez <em>devesse n\u00e3o<\/em> estar como est\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 a\u00ed, estou no \u00e2mbito da minha atividade de desbanalizador do banal. Caminho na fun\u00e7\u00e3o da filosofia, assumida de acordo com a acep\u00e7\u00e3o geral que dou a ela. Mas essa desbanaliza\u00e7\u00e3o do banal me conduz para \u00e0 minha segunda acep\u00e7\u00e3o de filosofia.<\/p>\n\n\n\n<p>Entro em casa, ligo a televis\u00e3o e vejo o prefeito, de helic\u00f3ptero, passeando por cima de S\u00e3o Paulo e afirmando que o tr\u00e2nsito em S\u00e3o Paulo n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim, que \u201csempre foi dessa maneira\u201d, que S\u00e3o Paulo \u00e9 muito grande e que com 22 milh\u00f5es de pessoas aglomeradas \u201cn\u00e3o poderia ser diferente\u201d. Eis que est\u00e1 na sala um vizinho, e ele ap\u00f3ia o prefeito. Ele acredita que, de certo modo, o prefeito est\u00e1 certo. Como poderiam 22 milh\u00f5es de pessoas aglomeradas, todo mundo de carro, n\u00e3o congestionar a cidade \u2013 imposs\u00edvel. O jeito de lidar com a coisa, ent\u00e3o, \u00e9 uma s\u00f3: paci\u00eancia \u2013 esta \u00e9 a f\u00f3rmula do prefeito e do meu vizinho. Bem, diante dessa conclus\u00e3o do meu vizinho, minha atividade de desbanaliza\u00e7\u00e3o do banal caminha para o campo da minha segunda acep\u00e7\u00e3o de filosofia. Pois o que meu parente est\u00e1 fazendo \u00e9 simplesmente parar de pensar e aceitar o discurso \u2013 ideol\u00f3gico \u2013 do prefeito.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 o de convencer o meu vizinho de que o prefeito est\u00e1 usando de um discurso ideol\u00f3gico. O problema filos\u00f3fico, neste caso, \u00e9 mais complexo. O fil\u00f3sofo n\u00e3o \u00e9 o que vai <em>desideologizar<\/em> o discurso do prefeito. O fil\u00f3sofo \u00e9 o que vai investigar para entender quais os mecanismos (se \u00e9 que existem) tornaram o vizinho capaz de tomar o aparente \u2013 o problema do tr\u00e2nsito n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o \u2013 pelo real \u2013 o problema do tr\u00e2nsito deve ter solu\u00e7\u00e3o, uma vez que a racionalidade em outros lugares eliminou tal problema. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00a9<\/strong> 2008 <a href=\"http:\/\/ghiraldelli.ning.com\">Paulo Ghiraldelli Jr<\/a>., fil\u00f3sofo. <a href=\"http:\/\/portal.filosofia.pro.br\/o-que--filosofia-short.html.%20Acesso%20em%2009.04.2011\">http:\/\/portal.filosofia.pro.br\/o-que&#8211;filosofia-short.html. Acesso em 09.04.2011<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\" type=\"1\"><li>Discuta criticamente as defini\u00e7\u00f5es de Filosofia existentes nos textos.<\/li><li>O que significa dizer que \u201ca Filosofia n\u00e3o serve\u201d?<\/li><li>Para Marilena Chaui, qual a diferen\u00e7a entre pensar e conhecer?<\/li><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Filosofia: Conceito e defini\u00e7\u00f5es. &#8211; Sentido amplo: imposi\u00e7\u00e3o no processo de socializa\u00e7\u00e3o e incorpora\u00e7\u00e3o passiva da ideologia dominante. &#8211; Sentido estrito: estudo sistem\u00e1tico e met\u00f3dico sobre a totalidade do que existe. Ci\u00eancia do ser. Conhecimento fundamentado, sistem\u00e1tico e met\u00f3dico, sobre a finalidade \u00faltima de tudo o que existe. Problema do Ser. Problema do Conhecimento. 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