{"id":792,"date":"2020-08-17T17:01:11","date_gmt":"2020-08-17T20:01:11","guid":{"rendered":"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/?p=792"},"modified":"2020-08-17T17:01:12","modified_gmt":"2020-08-17T20:01:12","slug":"gotas-de-filosofia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/index.php\/2020\/08\/17\/gotas-de-filosofia\/","title":{"rendered":"Gotas de Filosofia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"933\" height=\"391\" src=\"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Gotas-de-Filosofia.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-793\" srcset=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Gotas-de-Filosofia.jpg 933w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Gotas-de-Filosofia-300x126.jpg 300w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/08\/Gotas-de-Filosofia-768x322.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 933px) 100vw, 933px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>O Imp\u00e9rio dos Ambissinistros &#8211; Wilson Carvalho, 15.08.2020<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Confesso que me aproprio de um termo que ouvi do pesquisador Jadson Porto para a esta (curta) an\u00e1lise sobre direita e esquerda que apresento a seguir.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, a minha motiva\u00e7\u00e3o para esta abordagem devo a um soci\u00f3logo de facebook que conseguiu me irritar com uma an\u00e1lise sobre direita e esquerda na qual reduz a quest\u00e3o a um embate entre os bons e os maus. Apesar das suas credenciais de extra-super-p\u00f3s-doutor, sua abordagem, bem espremida, resulta simpl\u00f3ria e em nada ajuda, muito pelo contr\u00e1rio, atrapalha porque apenas inverte o que eu ouvi durante a ditadura civil-militar, e que enfastiou minha juventude. Por isso pretendo fazer uma abordagem simples, sem ser reducionista, come\u00e7ando do b\u00e1sico: a nossa m\u00e3o direita.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 fato que a grande maioria das pessoas, mormente na Europa, \u00e9 destra, enquanto que os canhotos s\u00e3o minoria. Da\u00ed que n\u00e3o \u00e9 de estranhar que a linguagem fixe para o signo destro\/destra (maioria) o significado de caminho conhecido e sempre trilhado, e por via de consequ\u00eancia, aquilo que \u00e9 certo (<em>dextra<\/em> no Latim \u00e9 a m\u00e3o direita, mas tamb\u00e9m habilidade). Em contrapartida, para a m\u00e3o esquerda e para os canhotos (a minoria), o signo fixa \u201ccaminho diferente, desconhecido\u201d. Da\u00ed que <em>sinister<\/em> (latim), significa tanto esquerda como infeliz, funesto, de mau agouro. Em portugu\u00eas se pode dizer para algu\u00e9m dobrar \u00e0 direita para chegar \u00e0 faculdade de Direito. H\u00e1 tamb\u00e9m o dito popular: \u201cPela direita v\u00e3o os direitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Por coincid\u00eancia ou n\u00e3o, esses termos ficaram mais conhecidos politicamente com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (uma revolu\u00e7\u00e3o burguesa, diga-se de passagem). Na Assembleia os Girondinos, grupo pol\u00edtico composto de burgueses\/ricos que defendiam mudan\u00e7as parciais na estrutura do poder (monarquia constitucionalista), sentavam \u00e0 direita, enquanto que os Jacobinos sentavam \u00e0 esquerda e defendiam mudan\u00e7as na estrutura da sociedade visando transferir o poder para o povo (a Rep\u00fablica). No fim, Napole\u00e3o coroou-se imperador e frustrou a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Filosofia esse sentido pol\u00edtico se consolida com a obra de Hegel, que se torna uma esp\u00e9cie de pensamento oficial nas grandes universidades, e seu legado historicista deixa margem para duas linhas de interpreta\u00e7\u00e3o: a direita hegeliana que entende que a sociedade desigual precisa ser reformada; e a esquerda hegeliana, que entende que a necessidade de justi\u00e7a social exige uma mudan\u00e7a radical na estrutura da sociedade. Em resumo, a direita pretendia mudan\u00e7as para minorar a desigualdade pela educa\u00e7\u00e3o e pela ci\u00eancia aplicada, enquanto que a esquerda entendia que era necess\u00e1rio quebrar a espinha dorsal da sociedade desigual atacando a base da desigualdade: a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Claro que n\u00e3o podemos ignorar o papel da religi\u00e3o na cristaliza\u00e7\u00e3o desses significados e de simbologias correlatas, desde o vermelho bolchevique na Revolu\u00e7\u00e3o Russa at\u00e9 o vermelho \u201cimoral\u201d do protestantismo. A cor vermelha, no ocidente crist\u00e3o sempre remeteu \u00e0 \u201csat\u00e3\u201d, \u00e0 dor e \u00e0 morte. Mas em russo, o vermelho significa tanto a cor como \u201cbelo\u201d. Interessante lembrar que o vermelho significa \u201cperigo\u201d na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. E que os orientais, em sua maioria, n\u00e3o associam o vermelho ao mal e \u00e0 dor.<\/p>\n\n\n\n<p>Enfim, o ponto crucial da quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a bondade ou a maldade. S\u00e3o os interesses de classe. Se voc\u00ea \u00e9 um burgu\u00eas bem estabilizado na vida, ent\u00e3o n\u00e3o tem nenhum interesse em mudan\u00e7as radicais. Se voc\u00ea \u00e9 um trabalhador que consegue descobrir que est\u00e1 sendo explorado, \u00e9 claro que voc\u00ea almeja por mudan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Disso tudo resulta que, entre os ricos, os interesses de classe se inclinam para a economia de mercado (a democracia burguesa \u2013 liberdade individual e propriedade acima de tudo), e entre os pobres que sabem que s\u00e3o explorados, para a economia planificada (a democracia popular \u2013 Estado forte e impositivo da justi\u00e7a social acima da liberdade individual). Evidentemente, para os que nem se apercebem da explora\u00e7\u00e3o, a vida segue do mesmo jeito.<\/p>\n\n\n\n<p>E os partidos pol\u00edticos e seus l\u00edderes ambissinistros, onde entram nessa quest\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 que os partidos pol\u00edticos ambissinistros s\u00e3o aqueles constitu\u00eddos em fun\u00e7\u00e3o de interesses de seus \u201cpropriet\u00e1rios\u201d, que geralmente se apresentam como \u00eddolos. Aferrados ao poder, s\u00e3o capazes de qualquer coisa pela domina\u00e7\u00e3o das massas, e quando chegam ao poder n\u00e3o o entregam mais. De direita ou de esquerda, eles n\u00e3o t\u00eam nenhuma ideologia, assumem aquela que est\u00e1 na moda, aquela que est\u00e1 empolgando os jovens, agradando as multid\u00f5es. S\u00e3o os camale\u00f5es da pol\u00edtica, dizem somente o que as pessoas querem ouvir.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez seja por isso que as democracias burguesas, quando tomadas por um l\u00edder messi\u00e2nico, tornam-se demagogias (o poder de ningu\u00e9m, ou dos mais espertos) e\/ou oligarquias mantidas por elei\u00e7\u00f5es manipuladas por algumas poucas fam\u00edlias que dominam uma regi\u00e3o como se fossem feudos. Da mesma forma as democracias populares, quando tomadas por um l\u00edder carism\u00e1tico aferrado ao poder, tornam-se ditaduras e\/ou oligarquias mantidas por elei\u00e7\u00f5es fraudadas (o poder dos mais fortes, dos mais ferozes ou dos mais espertos). Pol\u00edticos sinistros, de direita ou de esquerda, mais que ladr\u00f5es que roubam com as duas m\u00e3os, s\u00e3o prestidigitadores que aplicam sua arte para manterem-se eternamente no poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A solu\u00e7\u00e3o? Fazer a coisa certa. O cidad\u00e3o tem que entender que s\u00edndico, vereador, deputado, senador, presidente, o que for, s\u00f3 merece o seu voto se tiver um passado de probidade, se for honesto e competente e se defender o fim das imunidades e privil\u00e9gios que garantem a impunidade dos poderosos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Imp\u00e9rio dos Ambissinistros &#8211; Wilson Carvalho, 15.08.2020 Confesso que me aproprio de um termo que ouvi do pesquisador Jadson Porto para a esta (curta) an\u00e1lise sobre direita e esquerda que apresento a seguir. 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