{"id":831,"date":"2020-12-09T20:55:14","date_gmt":"2020-12-09T23:55:14","guid":{"rendered":"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/?p=831"},"modified":"2020-12-09T21:08:58","modified_gmt":"2020-12-10T00:08:58","slug":"aula-2-panorama-historico-da-filosofia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/index.php\/2020\/12\/09\/aula-2-panorama-historico-da-filosofia\/","title":{"rendered":"Aula 2 &#8211; Panorama Hist\u00f3rico da Filosofia"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/L9eVYRKOQ3hhswhGENBQfOHrJeSAQEn-LUKpb2sLCbB2vo7uhW3sn1TuapyUjg98PNj_u3WTuY1IGz6fy-QrlVM5ALVFPaWb8E5qsBcoMKyj8FuZ7Fts271lFaAXMM39Vx6bAi4\" style=\"width: 1200px;\"><\/p>\n\n\n\n<p>A Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental<\/p>\n\n\n\n<p>Com esse termo denominamos uma linha cultural que costumamos dizer que se originou entre os gregos antigos, mas que provavelmente tem ra\u00edzes muito mais remotas. Essa linha \u00e9, na verdade, greco-romana-crist\u00e3-europeia-branca, mas incorpora muito da tradi\u00e7\u00e3o judaica e de alguma influ\u00eancia oriental, atribu\u00edda geralmente ao helenismo. Assim, esse conceito somente alcan\u00e7a algo das civiliza\u00e7\u00f5es africanas, asi\u00e1ticas e americanas por meio de suas contribui\u00e7\u00f5es (talvez o termo adequado fosse apropria\u00e7\u00e3o). De fato, a divis\u00e3o oriente x ocidente, quando o foco \u00e9 na cultura, n\u00e3o pode ser vista geograficamente. Chamamos o Marrocos de Oriente M\u00e9dio mesmo que ele esteja situado entre os mesmos meridianos que Inglaterra, Portugal e Espanha (pa\u00edses que n\u00e3o hesitar\u00edamos em classificar como ocidentais).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo de Filosofia tamb\u00e9m padece dessa perspectiva etnoc\u00eantrica, e por isso apresenta-se realmente complicado o estudo do pensamento filos\u00f3fico, chin\u00eas, \u00e1rabe ou africano, n\u00e3o apenas pela dificuldade de fontes, mas principalmente pela aplica\u00e7\u00e3o de categorias de an\u00e1lise do pensamento ocidental sobre a produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica de pensadores orientais. \u00c9 por isso que em alguns livros mais antigos encontramos a afirma\u00e7\u00e3o de que o pensamento oriental n\u00e3o \u00e9 \u201cpropriamente\u201d filosofia, porquanto seria um pensamento um tanto m\u00edstico e obscuro. Evidentemente, esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o encerra uma tremenda contradi\u00e7\u00e3o com o conceito de Filosofia, inclusive com a filosofia ocidental em suas ra\u00edzes gregas, onde o amor \u00e0 sabedoria inclui o n\u00e3o classificar o que n\u00e3o se conhece plenamente. Enfim, uma atitude que n\u00e3o \u00e9 propriamente filos\u00f3fica.<\/p>\n\n\n\n<p>A atitude propriamente filos\u00f3fica seria tentar compreender o pensamento oriental sem a aplica\u00e7\u00e3o de nossas categorias de pensamento, principalmente aquelas cartesianas, que separam o ser em mente e corpo (alma x esp\u00edrito, no cristianismo). A partir dessa compreens\u00e3o, poder\u00edamos analisar o pensamento oriental por outras l\u00f3gicas, que n\u00e3o a aristot\u00e9lico-tomista, e entender melhor o pensamento distinto da f\u00f3rmula de Parm\u00eanides, \u201co ser \u00e9, n\u00e3o-ser n\u00e3o \u00e9\u201d, e come\u00e7ar a compreender melhor o \u201csendo\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/NUHVQHMLnFmYXagNvMUG4fHAxQEdLuZ4aoM8r3yaiSkdSQI0rDW_WBIXLXaC6FrVW0r5YAZcNEPsCXXVaiUcWUp82ONGZCFi95Kfar2h04EXe_H0G1xQtBRriwCq2_8DMTzEbBY\" style=\"width: 1200px;\"><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">J\u00e1 se convencionou dividir a Hist\u00f3ria da Filosofia Ocidental pelos mesmos balizadores da Hist\u00f3ria Geral. Em parte pela comodidade, mas principalmente pelas grandes modifica\u00e7\u00f5es que ocorreram no pensamento filos\u00f3fico ao longo da Hist\u00f3ria, com importantes mudan\u00e7as no foco das quest\u00f5es filos\u00f3ficas que, em dados momentos \u00e9 essencialmente metaf\u00edsica, em outros gnosiol\u00f3gica, e em outros, principalmente \u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, em todos os momentos vemos presente uma quest\u00e3o crucial, que \u00e9 a quest\u00e3o da verdade. Talvez essa seja o escopo de toda a faina da filosofia, saber o que \u00e9 a verdade. Ora \u00e9 a verdade como ess\u00eancia da realidade vivida, ora \u00e9 a verdade como o pr\u00f3prio criador de tudo, ora \u00e9 a verdade que se revela nas leis da natureza, ora \u00e9 a verdade como a decep\u00e7\u00e3o com o g\u00eanero humano.<\/p>\n\n\n\n<p>Se, para os gregos antigos, de uma forma geral, a Filosofia \u00e9 a verdade que se busca, no pensamento medieval, dominado pela Filosofia Crist\u00e3, essa verdade tem que ser buscada sob o lume do cristianismo. O pensamento moderno \u00e9 assim chamado por romper n\u00e3o s\u00f3 com os grilh\u00f5es da religi\u00e3o que sufocavam o pensamento cient\u00edfico, mas tamb\u00e9m por uma f\u00e9 absurda na raz\u00e3o, como o \u00fanico meio de compreens\u00e3o da realidade, n\u00e3o s\u00f3 f\u00edsica com social. J\u00e1 o pensamento contempor\u00e2neo \u00e9 marcado por uma profunda decep\u00e7\u00e3o com essa raz\u00e3o instrumental, com essa l\u00f3gica cartesiana, ao mesmo tempo que busca novas alternativas, novas l\u00f3gicas e novos horizontes para o pensar.<\/p>\n\n\n\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/OiIpQVgW30yGYuu74A3AgdDyZqy1LVkSvEmDhpkqcwJQ3MCntwB5693iaU9vy9Wsvc7JnKK_MCbjjBBWFUu1tvDcQG7mSUq8W1o8J-7otMzP6-GdCU8DcwqspaKE4_wm_oZ0nqY\" width=\"783\" height=\"442\"><\/p>\n\n\n\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/fTk5R0Ta421fuSJYrGIUOU6aCUs5-sHftr5jO2itLHnzErlqVPo9ZYSjVZ7w508JLEbMn7_jBKpNKE02Gkf9pY5iwn7EocF8gKXZRWEWCjz3Puynu4Hv_W1b90kFUkgQg9uNgjc\" style=\"width: 1200px;\"><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como come\u00e7a a Filosofia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 interessante a rela\u00e7\u00e3o da Filosofia com o Mito, ao mesmo tempo um confronto e uma evolu\u00e7\u00e3o. O fato \u00e9 que o Mito \u00e9 a primeira forma de explicar o mundo e aplacar a mesma ang\u00fastia do homem que est\u00e1 no mundo e n\u00e3o sabe por qu\u00ea e nem para qu\u00ea. Mas o mito \u00e9 uma forma narrativa, n\u00e3o apresenta a consist\u00eancia e nem a coer\u00eancia interna necess\u00e1ria para sua amplia\u00e7\u00e3o. \u00c0 medida que o homem vai superando as explica\u00e7\u00f5es m\u00edticas por meio de explica\u00e7\u00f5es l\u00f3gicas e causais, vai surgindo o conhecimento epist\u00eamico (Filosofia e as ci\u00eancias).<\/p>\n\n\n\n<p>A natureza das explica\u00e7\u00f5es m\u00edticas: quando definimos conhecer como a elabora\u00e7\u00e3o de um modelo explicativo da realidade, passamos a admitir o mito como uma forma de conhecimento. Conhecer seria projetar uma organiza\u00e7\u00e3o e integrar o desconhecido ao que j\u00e1 se sabe. O homem, diferentemente dos animais que se limitam \u00e0s respostas autom\u00e1ticas instintivas, caracteriza-se pela necessidade de explicar e resolver os problemas com os quais se depara na sua rela\u00e7\u00e3o com o mundo.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira e fundamental forma de modelo explicativo da realidade \u00e9 o mito. \u00c9 um modelo origin\u00e1rio de organiza\u00e7\u00e3o dos fatos e do universo em geral, expresso em linguagem simb\u00f3lica e imaginativa. O mito \u00e9 m\u00e1gico (n\u00e3o \u00e9 l\u00f3gico-conceitual), sua for-ma \u00e9 narrativa, seu conte\u00fado \u00e9 simb\u00f3lico concreto (n\u00e3o \u00e9 concei-tual-abstrato), e seu significado \u00e9 inconsciente.<\/p>\n\n\n\n<p>O mito \u00e9 assim, entretanto, n\u00e3o por uma incapacidade das mentalidades \u201cprimitivas\u201d, j\u00e1 que se assim fosse, as sociedades ditas \u201ccivilizadas\u201d, cient\u00edficas e tecnol\u00f3gicas, n\u00e3o produziriam mitos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Embora n\u00e3o reflexivo, o mito \u00e9 uma express\u00e3o do desejo do homem de compreens\u00e3o do mundo, relacionada a uma vontade de transforma\u00e7\u00e3o da realidade, expresso em uma mentalidade m\u00e1gica. \u00c9 distinto da religi\u00e3o porque nesta encontramos uma explica\u00e7\u00e3o da realidade adquirido de forma emp\u00e1tica, geralmente sintetizada em algo sagrado, que se aceita pela f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>A Filosofia e as ci\u00eancias (conhecimentos epist\u00eamicos) se distinguem de ambos pelo discurso argumentativo e pela atitude cr\u00edtica e pela avers\u00e3o aos dogmas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/Z7_QYfKThVZkab37JyVdOgwzQ4sG6pn6NqujSkgAk5AbibAwKhFxVf79JcFFCzya18rlj25ZE1AnJBRny0VR12P1-q5-7Ak1W04eEG21yTvUkkqjL7pHo47_XPyrL1eXsWfCmIQ\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Como surge a Filosofia entre os primeiros pensadores gregos?<\/p>\n\n\n\n<p>Para alguns a Filosofia surgiu entre os gregos antigos como uma esp\u00e9cie de milagre, eles seriam o povo eleito da raz\u00e3o assim como os judeus seriam o da Revela\u00e7\u00e3o. Entretanto, \u00e9 mais coerente acreditar que esse surto de pensamento l\u00f3gico apareceu nas col\u00f4nias gregas da \u00c1sia Menor (hoje a Anat\u00f3lia, Turquia) e se espalhou por toda a Gr\u00e9cia Antiga seja fruto de condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da geografia e do sistema pol\u00edtico e econ\u00f4mico da Gr\u00e9cia (litoral recortado, interior montanhoso, a rela\u00e7\u00e3o com o mar e com a navega\u00e7\u00e3o, as cidades gregas&#8230;).<\/p>\n\n\n\n<p>Em toda essa produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica e cient\u00edfica (conhecimento epist\u00eamico) se destaca o grande S\u00f3crates pela fertilidade de seu pensamento. Seu principal m\u00e9rito \u00e9 focar a reflex\u00e3o sistem\u00e1tica sobre o problema do homem, e por isso os pensadores anteriores a ele s\u00e3o chamados pr\u00e9-socr\u00e1ticos ou f\u00edsicos (focavam a reflex\u00e3o na busca de um elemento fundamental em todas as coisas), enquanto que o per\u00edodo que come\u00e7a com S\u00f3crates \u00e9 chamado de antropol\u00f3gico ou sistem\u00e1tico, porque nele os pensadores come\u00e7am a elaborar os grandes sistemas filos\u00f3ficos (S\u00f3crates, os sofistas, Plat\u00e3o, Arist\u00f3teles). O \u00faltimo per\u00edodo da filosofia grega antiga \u00e9 chamado de \u00c9tico, ou das escolas menores (Epicurismo, Estoicismo, Ecletismo, neoplatonismo&#8230;) porque j\u00e1 n\u00e3o surgem pensadores do porte dos sistem\u00e1ticos, e porque a principal quest\u00e3o \u00e9 a da conduta humana. Esse per\u00edodo \u00e9 marcado pelas conquistas de Alexandre da Maced\u00f4nia, pelo helenismo decorrente dessa expans\u00e3o, pelo Imp\u00e9rio Romano e pelos primeiros pensadores crist\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/WcXx2yDHqLvSVAZabY10MsAP1t6_shV8t2QoVr45fPi8fXqWBBtWMrddfqWNAG9rrXr15oGjdLt7uxwOHYzn2f8bGh_A4WFUWtU6KvnnmQ1FpauR7D7VOC7wxDCUvM0YOeuVUas\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>A Filosofia Medieval tem uma rela\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica com o Imp\u00e9rio Romano, n\u00e3o apenas porque com a queda do Imp\u00e9rio Romano do Ocidente ocorre uma intensa transforma\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-econ\u00f4mica no mundo antigo, ou porque a queda do Imp\u00e9rio Romano do Oriente fez com os s\u00e1bios bizantinos emigrassem para a Europa trazendo os escritos de Arist\u00f3teles e Plat\u00e3o no original, aumentando a compreens\u00e3o natural do mundo que ajudou a colocar em xeque a Filosofia Crist\u00e3 Medieval, mas principalmente \u00e9 no bojo do confronto que se forja o pensamento medieval.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros pensadores da Filosofia Crist\u00e3 que domina a Europa Medieval feudal s\u00e3o os ap\u00f3stolos e seus seguidores, que estudam e acumulam conhecimento para poder defender a sua doutrina ante os \u00faltimos s\u00e1bios da cultura greco-romana. O fato \u00e9 que a Igreja Crist\u00e3 vai se constituindo lentamente e precisa tamb\u00e9m preparar seus sacerdotes e os encarregados de manuten\u00e7\u00e3o da estrutura e da hierarquia da Igreja.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No per\u00edodo seguinte, chamado de Filosofia Patr\u00edstica porque nela os padres da Igreja Crist\u00e3 come\u00e7am a elaborar suas grandes teses para abordar os principais problemas filos\u00f3ficos da teologia crist\u00e3. O maior pensador desse per\u00edodo \u00e9 Sto Agostinho de H\u00edpona, que ataca um dos principais problemas filos\u00f3ficos do cristianismo, que \u00e9 a exist\u00eancia do mal em um mundo criado por aquele que representa o sumo bem. Para Agostinho o mal pode ser explicado como a priva\u00e7\u00e3o do bem, dado a Influ\u00eancia do platonismo (Sto. Agostinho substitui a ess\u00eancia plat\u00f4nica pela ideia de Deus, como a perfei\u00e7\u00e3o absoluta).<\/p>\n\n\n\n<p>A Patr\u00edstica \u00e9 superada pela Filosofia Escol\u00e1stica, onde a filosofia medra nas escolas crist\u00e3s, visando a sistematiza\u00e7\u00e3o racional e l\u00f3gica do cristianismo.&nbsp; Sto. Tom\u00e1s de Aquino \u00e9 o maior pensador desse per\u00edodo, que se caracteriza pela discuss\u00e3o dos problemas filos\u00f3ficos colocados pela rela\u00e7\u00e3o com a teologia crist\u00e3: a Cria\u00e7\u00e3o, os Universais, a Raz\u00e3o (participa\u00e7\u00e3o na divindade?). O pensamento de Sto. Tom\u00e1s de Aquino (tomismo) ataca os problemas filos\u00f3ficos do cristianismo a partir da integra\u00e7\u00e3o da teologia crist\u00e3 com o aristotelismo. Pensador dedicado e minuncioso, realizou uma an\u00e1lise da filosofia \u00e1rabe e judia, e o aperfei\u00e7oamento da L\u00f3gica Formal deixada por Arist\u00f3teles, e por isso esse pensamento \u00e9 conhecido como Aristot\u00e9lico-tomista.<\/p>\n\n\n\n<p>O \u00e1pice da Filosofia Escol\u00e1stica, mas tamb\u00e9m o seu decl\u00ednio, se por for\u00e7a da cria\u00e7\u00e3o das universidades europeias. \u00c9 nesses grandes centros de saber que come\u00e7a a durgir o pensamento divergente, como, por exemplo, o questionamento do problema da ci\u00eancia experimental, em conflito com a teologia crist\u00e3, e da\u00ed crise do conhecimento medieval.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/jMq2JyMLYJ_yyxZy0fUbmZ_178SdI8O7Iz80510vrHd8GkVt62u0fOtutW-_sZm9ConL_FtuipIgYWlPR9GV2dvVeswlUzkPCig7MHr-AJYXfqskb892GZhZY0o50KLaMajw58s\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>O pensamento: de Sto. Agostinho pode ser sintetizado no trecho: \u201cA certeza da raz\u00e3o por meio da f\u00e9. Compreender para crer, crer para compreender\u201d. Para ele o homem \u00e9 um ser composto de alma e corpo (bem e mal), que tem inclina\u00e7\u00e3o natural para o mal (pecado original), que \u00e9 superada pelo esfor\u00e7o consciente do homem que quer vencer suas defici\u00eancias (humanas). Em sua \u00c9tica explica o mal como afastamento de Deus, da\u00ed a necessidade de intensa educa\u00e7\u00e3o religiosa para a aproxima\u00e7\u00e3o com Deus, o sumo bem. A Alma foi criada por Deus para dirigir o corpo, e o livre-arb\u00edtrio do homem pode lev\u00e1-lo a inverter essa rela\u00e7\u00e3o, ocorrendo a submiss\u00e3o do eterno ao transit\u00f3rio. A liberdade consistiria na harmonia das a\u00e7\u00f5es humanas com a vontade divina.Na Teoria do Conhecimento afirma a fragilidade do conhecimento sens\u00edvel e a verdade no conhecimento eterno, o conhecimento intelectual, os puros conceitos, existentes no \u201cmundo das id\u00e9ias\u201d, como em Plat\u00e3o. Na metodologia defende que a via \u00e9 o autoconhecimento, a via da interioridade, do \u00edntimo da alma humana, iluminado por Deus (gra\u00e7a divina), para alcan\u00e7ar a verdade. Combina\u00e7\u00e3o de esfor\u00e7o e gra\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>A Filosofia Escol\u00e1stica \u00e9, de certa forma, fruto do do renascimento carol\u00edngio que adota a educa\u00e7\u00e3o no modelo romano, com ensino do trivium (gram\u00e1tica, ret\u00f3rica e dial\u00e9tica) e o quadrivium (geometria, aritm\u00e9tica, astronomia e m\u00fasica), submetida a teologia e apoia o desenvolvimento da produ\u00e7\u00e3o filos\u00f3fico-teol\u00f3gica que \u00e9 elaborada a partir da funda\u00e7\u00e3o das escolas crist\u00e3s e das primeiras universidades (sec. XI).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O principal problema filos\u00f3fico atacado pela Escol\u00e1stica \u00e9 da harmonia entre a F\u00e9 a&nbsp; Raz\u00e3o. A metodologia envolve come\u00e7ar pelo estudo da linguagem para alcan\u00e7ar o estudo das coisas. A disputa l\u00f3gica \u00e9 m\u00e9todo (a l\u00f3gica aristot\u00e9lica aplicada de forma exaustiva e minuciosa, com o confronto entre duas posi\u00e7\u00f5es opostas)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns problemas, como o Problema dos Universais (as ideias gerais &#8211; conceitos &#8211; t\u00eam exist\u00eancia real?), que ocuparam a mente dos escol\u00e1sticos por tempo demais, lhes rendeu a fama de estudiosos de quest\u00f5es sem sentido, e para a Metaf\u00edsica a fama de estudo in\u00fatil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O maior pensador desse per\u00edodo \u00e9 Sto Tom\u00e1s de Aquino (1226-1274), chamado de aristot\u00e9lico-tomista, por conta de sua base no pensamento de Arist\u00f3teles. O objetivo dele era organizar racionalmente um conjunto de argumentos para a defesa da Revela\u00e7\u00e3o Crist\u00e3, e com isso realizou uma original s\u00edntese do pensamento aristot\u00e9lico sobre o Ser e o Conhecimento, enfatizando a import\u00e2ncia da realidade sensorial e de princ\u00edpios l\u00f3gicos na aplica\u00e7\u00e3o de uma metodologia. Para ele a realidade \u00e9 explicada a partir dos seguintes princ\u00edpios:<\/p>\n\n\n\n<p>Princ\u00edpio da Subst\u00e2ncia: em todos os seres podemos distinguir a subst\u00e2ncia (a ess\u00eancia) e o acidente (o que n\u00e3o \u00e9 essencial para que a coisa seja).<\/p>\n\n\n\n<p>Princ\u00edpio da Causa Eficiente: todos os seres que captamos pelos sentidos s\u00e3o seres contingentes. Existe apenas um ser que \u00e9 ser necess\u00e1rio, a causa eficiente de tudo o que existe.<\/p>\n\n\n\n<p>Princ\u00edpio da Finalidade: todo ser contingente existe em fun\u00e7\u00e3o de uma finalidade, enfim, possui uma causa final.<\/p>\n\n\n\n<p>Princ\u00edpio o ato e da pot\u00eancia: todo ser contingente possui duas dimens\u00f5es: ato \u00e9 a exist\u00eancia atual do ser, realizada. Pot\u00eancia \u00e9 a capacidade de realizar-se. As transforma\u00e7\u00f5es das coisas s\u00e3o a passagem de pot\u00eancia a ato.<\/p>\n\n\n\n<p>Livro principal: Summa Teol\u00f3gica, prop\u00f5e a exist\u00eancia de Deus em cinco provas: o primeiro motor; a causa eficiente; o ser necess\u00e1rio; os graus de perfei\u00e7\u00e3o; a finalidade do ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros escol\u00e1sticos: S\u00e3o Boaventura, franciscano; Alberto Magno, dominicano; Duns Scotto, franciscano.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/y2wLeWgjgV0_JE_7up6kkcC4n_3I2X48lMi3wUSZ2ezZ8h76tJqX-N376iwBLLe6u-XaBLbAg8Y6LLMa_bPpz4pfs1Adc2DSigjcQT_Umoj4nk1zErT3Tmlj7juFFtn5BjMKDM8\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>As principais dissid\u00eancias da Filosofia Escol\u00e1stica, o Averoismo, Nicolau de Cusa e os&nbsp; Humanistas, Helenizantes, e Naturalistas; os Juristas da Filosofia Social (Maquiavel, Hugo Gr\u00f3cio e Tom\u00e1s Morus &#8211; a lei natural), est\u00e3o na base do surgimento da Filosofia Moderna que se caracteriza por centralizar no problema do conhecimento e do m\u00e9todo, em contraposi\u00e7\u00e3o ao pensamento dogm\u00e1tico medieval.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 o Iluminismo, Ilustra\u00e7\u00e3o ou Filosofia das Luzes (movimento cultural, mais que filos\u00f3fico), que avan\u00e7a com o desenvolvimento do capitalismo, a ascens\u00e3o social da burguesia e sua tomada de consci\u00eancia de classe, com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e com o sucesso da ci\u00eancia experimental. Nesse processo s\u00e3o fundamentais a ideia de progresso (o ac\u00famulo e a dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento resolvendo paulatinamente os problemas da humanidade). O pensamento de Montesquieu (1689-1755): defendendo a separa\u00e7\u00e3o dos poderes e o conceito de lei; Voltaire (1634-1778, com a defesa da liberdade de pensamento; Diderot e D\u2019Alambert: a enciclop\u00e9dia; Rousseau (1712-1778) e a ideia do bom selvagem; Adan Smith (1723-1790) e a economia regida pela lei da oferta e da procura.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o florescimento do com\u00e9rcio e o desenvolvimento da burguesia, torna-se vi\u00e1vel o surgimento de um novo modelo de homem e de sociedade (no per\u00edodo medieval prevalece o modelo de homem e de sociedade obediente \u00e0 Igreja e voltado para as especula\u00e7\u00f5es do mundo espiritual). Ideias centrais:<\/p>\n\n\n\n<p>. o humanismo: em vez do mundo centrado em Deus (teoc\u00eantrico), um mundo centrado no homem (antropoc\u00eantrico). o Renascimento (movimento art\u00edstico e cient\u00edfico dos sec. XV e XVI): prever para prover. A busca das leis que governam os fen\u00f4menos. Leonardo da Vinci (1452-1519): a experi\u00eancia n\u00e3o engana nunca. Nicolau Cop\u00e9rnico (1473-1543). Michel de Monteigne (1533-1592): s\u00f3 os loucos t\u00eam certezas absolutas..<\/p>\n\n\n\n<p>. o racionalismo e a ci\u00eancia experimental: em vez de um mundo explicado pela f\u00e9 (verdade revelada), um mundo explicado pela raz\u00e3o. Galileu Galilei (1564-1642): a organiza\u00e7\u00e3o do mundo escrita em linguagem matem\u00e1tica. Francis Bacon (1561-1626): o m\u00e9todo experimental e o combate aos idola (preconceitos). Saber \u00e9 poder.<\/p>\n\n\n\n<p>. individualismo e nacionalismo: em vez da \u00eanfase no ideal de coletivismo fraternal da cristandade, um mundo marcado pela individualidade dos homens e pelas diferen\u00e7as regionais entre as na\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh3.googleusercontent.com\/Rk70ijbjS29mmhIjVEXrlh8FDEPgTzl5CsnuFYLpzr5kMREfo4zabx3hZe03V3ikWg6X13hyrUZlQXlgUG7msBVkAN4hF9Y2vHWhSEmokzKvgB5SVguVgDm9Gnzf09DuZ4DCItg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh4.googleusercontent.com\/ZiEd1ZNvY9VfLKrPxqo_YOVjpWhDLd2zTTO6rMkwHpIHxsvbYZxMhA-XUOY00DhkLbOiTMspytGmarPm6xGW_8jwYPkCssZMOS9k5mAfHRj7J5yydv29DxeTuYYtJMwkyGWKC_o\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>&nbsp;Linhas Filos\u00f3ficas Modernas:<\/p>\n\n\n\n<p>Racionalismo: tese que a fonte de todo o conhecimento \u00e9 a raz\u00e3o. Verdadeiro conhecimento n\u00e3o se d\u00e1 atrav\u00e9s dos sentidos, mas encontra-se inato na alma (mente). O modelo de ci\u00eancia \u00e9 o das ci\u00eancias exatas (matem\u00e1tica e geometria).<\/p>\n\n\n\n<p>Ren\u00e9 Descartes (Cart\u00e9sio 1596-1650): o cogito como princ\u00edpio b\u00e1sico da filosofia, com sentido l\u00f3gico e ontol\u00f3gico. O m\u00e9todo Cartesiano: 1. Evid\u00eancia: verdadeiro \u00e9 aquilo que \u00e9 claro e distinto ao esp\u00edrito (resiste \u00e0 d\u00favida); 2. An\u00e1lise: dividir para explicar; 3. S\u00edntese: ordenar do simples para o complexo; 4. Enumera\u00e7\u00e3o: verifica\u00e7\u00e3o completa por seguran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguidores: Melebranche, Spinoza, Libenitz.<\/p>\n\n\n\n<p>Empirismo: tese de que todo o conhecimento procede da experi\u00eancia e o objetivo da ci\u00eancia \u00e9 a descoberta das leis universais sobre os fatos. Preocupa\u00e7\u00e3o com uma teoria do conhecimento e um modelo de ci\u00eancia mais adequado \u00e0s ci\u00eancias experimentais (bot\u00e2nica, qu\u00edmica, mec\u00e2nica&#8230;)<\/p>\n\n\n\n<p>Francis Bacon e o m\u00e9todo indutivo: 1. observa\u00e7\u00e3o rigorosa da natureza; 2. Formula\u00e7\u00e3o de explica\u00e7\u00f5es gerais provis\u00f3rias (hip\u00f3teses); 3. Comprova\u00e7\u00e3o mediante novas experi\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>John Locke (1632-1704): a experi\u00eancia como fonte das id\u00e9ias.&nbsp; A experi\u00eancia sensorial combinada na mente pela reflex\u00e3o forma as id\u00e9ias. Suas id\u00e9ias constituem a base da fundamenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica da democracia burguesa (liberdade individual, toler\u00e2ncia religiosa, educa\u00e7\u00e3o, livre iniciativa econ\u00f4mica)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>George Berkeley (1685-1753): ser \u00e9 perceber e ser percebido. Todo o conhecimento do mundo exterior resume-se ao que captamos atrav\u00e9s dos sentidos.<\/p>\n\n\n\n<p>David Hume (1711-76): a for\u00e7a do h\u00e1bito na forma\u00e7\u00e3o das id\u00e9ias. Tudo o que percebemos comp\u00f5e-se de impress\u00f5es (dados fornecidos pelos sentidos) e id\u00e9ias (representa\u00e7\u00f5es mentais derivadas das impres\u00f5es). Questiona a validade l\u00f3gica do racioc\u00ednio indutivo (ceticismo cr\u00edtico).<\/p>\n\n\n\n<p>Criticismo kantinano (idealismo):&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Immanuel Kant (1724-1804): preocupa\u00e7\u00e3o com o problema do conhecimento humano. S\u00edntese original de racionalismo e empirismo. Cr\u00edtica da Raz\u00e3o Pura: conhecimento emp\u00edrico (a posteiori) e conhecimento puro (a priori), que conduz a ju\u00edzos necess\u00e1rios e universais. Ju\u00edzos Anal\u00edticos:&nbsp; o predicado contido no sujeito. Ju\u00edzos Sint\u00e9ticos: acrescenta ao sujeito algo de novo. A ci\u00eancia surge pelos Ju\u00edzos Sint\u00e9ticos A Priori. O conhecimento como resultado de uma s\u00edntese entre o sujeito e o objeto, uma organiza\u00e7\u00e3o dos dados da experi\u00eancia atrav\u00e9s de categorias da mente.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh6.googleusercontent.com\/5yq_DUIRy_bOMNZFvzRA6lpLiRUic0aXaxGmA-ST4vwUe9Qq3pOZcYmDFkeRKVzR3LpHhkBHOC9tFMoj3QXrub9GyhQA6uc2uC0ntT36VILW02QvSP6pgQ6VtwfbffUdycMT5Ok\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Hegel, Georg Wilhem Friedrich: idealista alem\u00e3o, elaborou uma filosofia do esp\u00edrito segundo a qual o Esp\u00edrito Absoluto realiza-se gradativamente atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria, assumindo a forma de esp\u00edri-to objetivado (arte, ci\u00eancia, religi\u00e3o e demais cria\u00e7\u00f5es humanas) e cumprindo um cont\u00ednuo processo dial\u00e9tico. A realidade univer-sal n\u00e3o passa de manifesta\u00e7\u00e3o exterior do desenvolvimento da ideia e a hist\u00f3ria \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Exemplo de processo dial\u00e9tico na hist\u00f3ria: os povos orientais (cultura m\u00edstica) s\u00e3o a tese; a antiguidade cl\u00e1ssica (racional) a ant\u00edtese; e o pensamento medieval crist\u00e3o (religioso-intelectual) a s\u00edntese que inicia um novo processo, onde a ant\u00edtese \u00e9 a modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ao imobilismo das filosofias tradicionais, Hegel op\u00f5e a vis\u00e3o de uma realidade humana em constante transforma\u00e7\u00e3o, uma realidade din\u00e2mica, mas n\u00e3o ca\u00f3tica ou arbitr\u00e1ria, posto que est\u00e1 sujeita a uma lei fundamental: a dial\u00e9tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Hegel a dial\u00e9tica assume um significado mais complexo do que em Plat\u00e3o (processo de aquisi\u00e7\u00e3o da verdade pela ascese ao mundo das ideias) e em Arist\u00f3teles (as formas do racioc\u00ednio prov\u00e1vel, enquanto que a L\u00f3gica ocupa-se da certeza). No hegelianismo a dial\u00e9tica apresenta significado l\u00f3gico e ontol\u00f3gico (refere-se tanto ao processo de desenvolvimento do racioc\u00ednio quanto a uma explica\u00e7\u00e3o da realidade).<\/p>\n\n\n\n<p>Em Marx esse conceito ser\u00e1 reorientado (a invers\u00e3o dial\u00e9tica), e aplicado \u00e0 an\u00e1lise da realidade hist\u00f3rica concreta, assim como em Bachelard (o processo hist\u00f3rico de constitui\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia). Assim, a heran\u00e7a do idealismo alem\u00e3o que atinge o seu auge com o pensamento de Hegel, o Idealismo L\u00f3gico, que chega a afirmar que \u201co real \u00e9 racional e o racional \u00e9 o real\u201d, provoca mais uma crise no pensamento filos\u00f3fico, deflagrando a compreens\u00e3o que o idealismo levara muito longe a ilus\u00e3o de que a raz\u00e3o \u00e9 a verdadeira e \u00fanica realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ademais disso, no campo pol\u00edtico e econ\u00f4mico, a rea\u00e7\u00e3o se faz ainda mais forte contra esse pensamento absurdamente abstrato e que afasta a filosofia e a ci\u00eancia moderna das quest\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas, resultando em uma aliena\u00e7\u00e3o ainda mais cruel.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois tipos de rea\u00e7\u00e3o ao pensamento moderno surgem no alvorecer do pensamento contempor\u00e2neo: a esquerda hegeliana, cujo maior expoente \u00e9 Karl Marx, com o Materialismo Dial\u00e9tico; e a direita hegeliana, cujo maior expoente \u00e9 Augusto Comte, com o Positivismo. Ambos entendem que a Filosofia as ci\u00eancias precisam votar-se para as quest\u00f5es sociais, para atuar na transforma\u00e7\u00e3o da sociedade, sendo que o primeiro afirma que \u00e9 necess\u00e1rio quebrar a espinha dorsal do processo de aliena\u00e7\u00e3o que mantem a desigualdade social, acabando com a propriedade privada dos meios de produ\u00e7\u00e3o; enquanto que o segundo entende que \u00e9 poss\u00edvel retificar a sociedade desigual pelo desenvolvimento das ci\u00eancias, das artes e da Filosofia, desde que esta abandonasse a busca de um conhecimento absoluto (Metaf\u00edsica), e as ci\u00eancias passassem a buscar descobrir \u00e0s leis que governam os fen\u00f4menos, para enfim explicar gradativamente o mundo de uma forma objetiva.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lh5.googleusercontent.com\/4TEOODOwrjKI_me-EfTjJEjunGIolGigoWEOrCYhVQz6nNDd8IevuoFHvdTNlm8FTw3ohxoapiTYR6eEDuiastkmvHY_lxhmaEriS8XLmQ1yjWrd-a6gqrU65VrsgAoN3Cz7P00\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Se o pensamento moderno \u00e9 caracterizado pela empolga\u00e7\u00e3o com a racionalidade e a raz\u00e3o instrumental, o pensamento contempor\u00e2neo \u00e9 caracterizado com a desilus\u00e3o com a raz\u00e3o como forma de solu\u00e7\u00e3o dos problemas sociais. Fala-se muito de precursores da modernidade, e muitos poderiam ser apresentados como importantes na passagem do moderno para o contempor\u00e2neo, mas o fato \u00e9 que tr\u00eas grandes pensadores s\u00e3o fundamentais: Sigmund Freud mostrando o papel do inconsciente e da Libido na compreens\u00e3o do comportamento humano, enquanto for\u00e7a motivacional inata de natureza sexual, que nos induz \u00e0 a\u00e7\u00e3o; Nietzsche, mostrando a vontade de pot\u00eancia; e Darwin, mostrando que n\u00e3o somos mais do que primatas evolu\u00eddos, enfim, n\u00e3o somos o que pens\u00e1vamos que \u00e9ramos durante a modernidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta disso, uma grande quantidade de linhas do pensamento filos\u00f3fico surge na contemporaneidade. Uma forma simplificadora de abordar essa abund\u00e2ncia de pensadores \u00e9 estabelecer uma classifica\u00e7\u00e3o a partir da metodologia, onde podemos distinguir, de pronto, tr\u00eas grandes linhas metodol\u00f3gicas na Filosofia, a saber: a anal\u00edtica; a fenomenol\u00f3gica-hermen\u00eautica; e a dial\u00e9tica. Alguns pensadores, como, por exemplo, Foucault, resistem a qualquer tipo de classifica\u00e7\u00e3o. Destes trataremos separadamente ao longo do nosso curso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Civiliza\u00e7\u00e3o Ocidental Com esse termo denominamos uma linha cultural que costumamos dizer que se originou entre os gregos antigos, mas que provavelmente tem ra\u00edzes muito mais remotas. Essa linha \u00e9, na verdade, greco-romana-crist\u00e3-europeia-branca, mas incorpora muito da tradi\u00e7\u00e3o judaica e de alguma influ\u00eancia oriental, atribu\u00edda geralmente ao helenismo. 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