{"id":944,"date":"2022-03-01T11:02:02","date_gmt":"2022-03-01T14:02:02","guid":{"rendered":"http:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/?p=944"},"modified":"2022-03-01T11:02:06","modified_gmt":"2022-03-01T14:02:06","slug":"o-relogio-na-parede","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/index.php\/2022\/03\/01\/o-relogio-na-parede\/","title":{"rendered":"O REL\u00d3GIO NA PAREDE."},"content":{"rendered":"\n<p>Malr\u00edcio Fran\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"980\" height=\"494\" src=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Malricio-O-relogio.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-945\" srcset=\"https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Malricio-O-relogio.png 980w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Malricio-O-relogio-300x151.png 300w, https:\/\/wilsoncarvalho.com.br\/wp-content\/uploads\/2022\/03\/Malricio-O-relogio-768x387.png 768w\" sizes=\"(max-width: 980px) 100vw, 980px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O REL\u00d3GIO NA PAREDE.<\/p>\n\n\n\n<p>Malr\u00edcio Fran\u00e7a<\/p>\n\n\n\n<p>Estive refletindo sobre o tempo nos \u00faltimos dias, e conforme me aprofundo nesse estudo vou descobrindo que o ato de perd\u00ea-lo na hist\u00f3ria da humanidade n\u00e3o foi feito exclusivamente pela minha gera\u00e7\u00e3o, que teve in\u00edcio h\u00e1 apenas duas d\u00e9cadas, mas agora se depara com dedos apontados pelos mais maduros, que acusam e d\u00e3o pux\u00f5es de orelha em rep\u00fadio a essa perda desmedida de tempo. Tal descoberta s\u00f3 me fez pensar: &#8220;que sorte a dos mais maduros&#8221;, pois se tivessem aparelhos celulares em suas juventudes, informando-os exageradamente e registrando tudo aquilo que faziam e falavam, eles tamb\u00e9m teriam, assim como n\u00f3s, sentido a orelha doer.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem me dera o al\u00edvio de ter tirado de minhas costas o peso de fazer parte da at\u00e9 ent\u00e3o \u00fanica gera\u00e7\u00e3o que desperdi\u00e7ou e ainda desperdi\u00e7a tempo. Mas, tivesse isso durado mais um pouco, teria compreendido que podemos n\u00e3o ser a \u00fanica que desperdi\u00e7ou, mas a que mais fez isso.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse fardo, infelizmente, temos que carregar, j\u00e1 que nunca em toda a hist\u00f3ria da humanidade o homem desperdi\u00e7ou tanto tempo, e nunca tamb\u00e9m o homem achou que ainda tivesse tanto tempo, homem esse que, por estar sempre atento ao lan\u00e7amento de novas m\u00fasicas e dan\u00e7as em aplicativos de celular, acaba deixando de ouvir o som do ponteiro do rel\u00f3gio na parede que, com seu incessante tique-taque, lembra que o tempo passa inexoravelmente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00eaneca, um dos grandes fil\u00f3sofos estoicos da antiguidade, em sua carta intitulada &#8220;sobre aproveitar o tempo&#8221;, direcionada ao seu amigo Luc\u00edlio, mas que muito pode contribuir para essa nossa reflex\u00e3o, diz que o tempo que temos jamais deve ser desperdi\u00e7ado n\u00e3o fazendo nada ou fazendo coisas nocivas para o nosso car\u00e1ter. \u00c9 o que acontece atualmente, quando expomos quase que vinte e quatro horas por dia nas redes sociais em tempo real o que fazemos, falamos ou comemos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele nos aconselha a aproveitarmos o tempo buscando sempre obter novos conhecimentos, procurando formas de exercitar nosso intelecto com estudos que ser\u00e3o proveitosos para nossa forma\u00e7\u00e3o enquanto seres humanos, e nessa mesma carta, ele nos apresenta o que vem a ser o ant\u00eddoto para essa doen\u00e7a, cujo sintoma \u00e9 o mau aproveitamento do tempo e que j\u00e1 em sua \u00e9poca adoecia muitas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para S\u00eaneca o homem s\u00f3 passa a aproveitar melhor o seu tempo a partir do momento em que se d\u00e1 conta de que \u00e9 um ser mortal. Mas, como podemos observar na nossa sociedade, principalmente com o surgimento da internet e das redes sociais, essa \u00e9 uma tarefa desafiadora, j\u00e1 que vivemos em um contexto hist\u00f3rico no qual as pessoas s\u00f3 costumam criar consci\u00eancia de suas mortalidades quando alguma pessoa famosa vem a falecer. S\u00f3 quando vemos a morte chegar de repente para uma pessoa a qual ach\u00e1vamos que ainda viveria por muitos anos pelo simples fato de ser jovem, \u00e9 que passamos a refletir sobre a brevidade da vida, sobre como muitos n\u00e3o chegar\u00e3o, por diversos motivos, a viver a velhice.<\/p>\n\n\n\n<p>E falando em velhice, despe\u00e7o-me deixando aqui algumas provoca\u00e7\u00f5es: diga voc\u00ea se o destino, ou melhor, se o tempo lhe deixar chegar at\u00e9 ela, qual das duas sensa\u00e7\u00f5es pretende ter ao olhar no espelho e se deparar com as rugas e com os fios de cabelos brancos? Pretende ser algu\u00e9m que ter\u00e1 orgulho de ter adquirido durante todos esses anos conhecimento e que se tornou amigo da sabedoria, ou algu\u00e9m que apenas esperou a idade avan\u00e7ar e que por isso ir\u00e1 pagar o pre\u00e7o de nada levar consigo para a sepultura a n\u00e3o ser a mem\u00f3ria de uma vida ignorante?<\/p>\n\n\n\n<p>O tique-taque nunca foi t\u00e3o n\u00edtido para mim como \u00e9 agora. O tempo est\u00e1 realmente passando e a sensa\u00e7\u00e3o que resolvi escolher foi \u00e0 primeira, pois sei que se resolvo viver como na segunda, enxergar-me-ia no fim da vida como um completo errante.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Malr\u00edcio Fran\u00e7a O REL\u00d3GIO NA PAREDE. 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